sábado, 8 de maio de 2010

Schopenhauriana I

1 estratagema em contribuição à heurística de Schopenhauer em tempos modernos.
Quando alguém te disser arrogantemente, com pachorra de detentor de verdade que alguma questão ética é uma questão de cuidado-de-si, responda que você não está interessado em sua higiene pessoal.
Não, não é uma crítica à Foucault, mas aos foucaultianos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dialética à Brasileira

"A rapadura é doce, mas não é mole não".
Essa riqueza que o brasileiro tem de conseguir sitnetizar coisas complexas em frases que chegam até a ser bestas, devia ser estudada.
Essa frase besta, tem muito a dizer...

Londres




Londres.. ah... Londres.



Eu entendo a raiva que os latinos, principalmente - excessão feita aos portugueses - não suportam os ingleses: os ingleses não deram chance para que toda aquela simpatia viesse à tona. Não, eles não recebem todos com sorrisos e braços abertos, com aquela calorosidade e simpatia dos latinos. Vejam bem, isso não significa que eles não sejam simpáticos e afetivos. A diferença reside numa questão de privacidade. É um princípio acima de tudo racional! Não, eu não quero qualquer um perto de mim; e não, eu não devo gostar de qualquer um. Nem por isso serei estúpido, rude ou arrogante. O que se sente em relação aos ingleses, o modo como eles se relacionam é: "Não invadindo meu espaço, meu amigo, faça o que bem entende".



Os latinos adoram tomar por arrogância esse comportamento britânico. Talvez porque no fundo os latinos gozem de pouca liberdade. Comparação feita a outras nações, os ingleses gozam de liberdade, pois os limites de suas atitudes são impostas por eles mesmos. O limite entre o bom senso e a depravação ou o abuso é outorgado ao próprio povo. Por isso não se preocupam em medir os outros na rua, em medir seus trajes, suas aparências.



Foi o lugar em que as pessoas mais foram simpáticas, porque percebia-se uma simpatia sincera. Não por educação ou bons modos, mas simplesmente porque é assim. Ponto.



Longe da perfeição, óbvio. Quando um inglês quer ser descortês, não faz cerimônia.



Mas mudando um pouco, a própria cidade te convida a viver. É uma cidade pulsante, frenética. Os pubs lotados no dia de São Jorge, as músicas que escapam das portas entreabertas. A multidão que passa dizendo "sorry" a cada esbarrão, os ternos bem cortados, as pernas que se alongam por baixo das saias sociais, Picadilly, sempre cheio de jovens a espera de algo para fazer.



Cada esquina traz uma surpresa, e toda Londres é um grande mistério.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ponte aérea: Paris - São Paulo

Ok ok.. Paris é linda, é charmosa e romântica.
O que irrita em Paris é que acaba-se entendendo porque a classe mérdia paulistana - essa ralé emergente do meio do mato - se apaixona pela cidade, ainda que - eu acredito piamente nisso - dificilmente consigam se interar: Paris é o vislumbre daquilo que uma verdadeira burguesia é.
Minha raiva de Paris acaba sendo, assim, uma atitude política.
O consumo em si não é mal. É inevitável consumirmos. Quem não gosta de se vestir bem? A questão é o poveco sair do Brasil e comprar algo caro (caro para nosso padrões, porque para os padrões deles, só uma meia dúzia daqui consegue bancar) e achar que só por isso se pertence a uma classe maior, mais digna, crê-se luxuoso. Como aquela puta, dona dessa loja gigantesca de São Paulo, à beira de um dos rios moquifentos.
A classe média parisiense eu respeito. Tirando sua superficialidade, são elegantes, bem educados, tem modos à mesa e falam corretamente. A daqui eu odeio. Tenho ódio real. E não pensem que eu não me reconheço pequeno-burguês. Sim, eu sei muito bem minha condição.
Mas não me ponham no mesmo patamar.
Falta às pessoas daqui perceberem que não é porque dirigem Tucson e vestem Prada que elas são bonitas. A grande maioria delas não é e devemos parar com o papo politicamente correto e reconhecer: só se elas morressem e nascessem de novo. Algumas, nem mesmo assim.
Uma poesia de Maiakóvski pré-revolução de 17 dizia algo mais ou menos assim:
"Come ananás
mastigas perdiz.
Teu dia está rente
burguês".
Se ainda nossa burguesia comesse ananás e perdiz... o que me parece é que comem merda.
Em Paris, pelo menos, como eu já disse, os burgueses são educados e sabem comer e beber. Uma das poucas coisas inteligentes que a burguesia conseguiu fazer, segundo Lênin, foi herdar os bons costumes da aristocracia.
Nosso problema é que no fundo, diferenças econômicas à parte, todos somos pobres. Pensa-se sempre do mesmo modo. Acha-se bonito ser feio; vê-se beleza na pobreza.
Há um preconceito contra a honestidade e os bons modos, a tomada de decisão aberta e a defesa do que é certo.
O que somos é medíocre.
Medíocres.. e achamos bonito.